segunda-feira, 9 de julho de 2012
Ser Brega é viver com estilo e com amor.
É não ter vergonha de dizer eu te amo, nem de mandar flores.
Ninguém viveria um grande amor sem passar pelas ruas do romantismo e muito menos sem ter como trilha sonora, canções do nosso rei Roberto Carlos. “Eu tenho tanto pra lhe falar mais com palavras não sei dizer como é grande o meu amor por você”. Também nunca ao termino de uma relação, alguém deixa de passar pelos desencantos poéticos de Odair José. “Depois que você casou comigo, nunca mais você se arrumou.... Assim você mata nosso amor”. Se você não beber um trago, vai fazer uma oração, sentar na famosa calçada dos lamentos, desabafar com um (a) amigo (a), chorar pelos cantos, fazer uma poesia, rabiscar o nome da pessoa amada em todos os lugares... Ou com uma lata de spray dá uma de pichador, grafitando o nome dela no ponto mais alto da cidade, mesmo afirmando não estar nem ai, para não assumir o surto da “breguice”. Nessas horas, tanto faz curtir um Odair José ou um Bartô Galeno num “pé sujo” ou Vinicius de Moraes, Tom Jobim, Caetano Veloso ou outros chiques num piano bar. As tristezas e as desilusões, doem do mesmo jeito no brega ou no chique. As canções falam dos mesmos sentimentos, com vocabulários, melodias e arranjos diferentes. A tristeza é tristeza em qualquer lugar do mundo. O triste nem sempre está triste por ser triste. Acho que para ter alegria de grego ganhando presente de troiano é melhor não tê-la. Do meu ponto de vista, a felicidade independe de qualquer humor, você pode estar triste e ser feliz e vice versa. Eu por exemplo sofro de tristeza crônica. Quem me conhece bem sabe disso. Porem quem me “avistar” de relance numa prosa, contando “causos” e piadas, não vai perceber essa minha faceta. Roberto Carlos parece ter essa tristeza, Vinicius de Moraes e muitos outros também. Essa tristeza muitas vezes é denunciada através do olhar. No caso do Roberto Carlos. Ele parece querer deixar claro quando fala numa canção bem famosa, só de sua autoria: “Olha dentro dos meus olhos vê quanta tristeza...” A pessoa triste não é obrigatoriamente infeliz. Ela canta, sorri, bebe, vai à praia, ao futebol etc... Enfim, tem a felicidade em fatias. (A felicidade de todo mundo pode ser de variadas formas, mais também é em fatias). Sou triste mais sou feliz. Dentro do meu universo feliz, existem pensamentos tristes que talvez já sentisse na raiz da minha concepção e sendo assim, não tem cura. Essa minha tristeza está muito ligada ao amor, a ternura, a generosidade, ao carinho, a humildade e isso me faz educado. Muitos escondem a tristeza atrás de palavras filosóficas, para não mostrar o lado “brega”, sentimental. Quem não entende a tristeza não sabe tirar proveito dela, por isso precisa esconder os seus sintomas ou disfarça-los. Muitas vezes, os chiques usam biombos intelectuais para não parecerem bregas. Suas atitudes e ações precisam sempre ser clássicas. Costumo dizer que: “Sou brega por que amo ou não sou brega sou apenas um cara colorido”. “A breguice está mais para a literatura que para a matemática, por isso é mais passional”. O povão elege como porta voz do seu coração os cantores bregas com suas vozes chorosas e canções simples. O escritor Paulo César de Araújo, no seu livro Eu não sou cachorro não, diz: “O Brasileiro é um ser triste”. Ele chora de alegria e de tristeza e caminha com felicidade entre esses dois sentimentos. A minha vida é toda essa mistura e o meu coração é latino.
Cecilia Meireles dizia: “Não sou alegre e nem sou triste, sou poeta”. Já eu prefiro dizer: “Sou alegre, sou triste e sou poeta”. Que atire a primeira geladeira quem nunca teve sobre ela um pinguim ou que não seja brega como eu. - Vicente Telles:)
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“EU, VENCEDOR”
ResponderExcluir(Vicente Telles)
Quando eu sair de casa
minha mãe disse chorando
você ainda vai ser alguém
ficarei aqui orando
trazia na minha bagagem
sonhos no coração
e brincava de alegria
na esquina da ilusão
mais o tempo foi passando
veio à intempestiva procela
e como uma gaivota
Bati as asas pra ela
ouvindo a canção dos ventos
percebi que a vida é bela
hoje eu, vencedor
analiso no divã da vida
viver um ano em uma noite
sem ter no peito uma ferida!