CARTA ABERTA
Esperamos tanto por esse dia, por esse disco e agora que aconteceu, é criado um fuzuê danado sem nenhum motivo para causar desânimo no nosso poeta e irmão de sonhos: Doquinha.
Eu estava teclando com o amigo de infância Lourival Tavares, quem gosto e admiro pela luta, quando o mesmo me envia o link de uma matéria publicada na coluna do Silveira, e pediu para que eu lesse. Então, fui ler a matéria, com o mesmo entusiasmo que me enviara e, para minha surpresa, não gostei nada do que li. Tratava-se de uma carta aberta, que falava da música “DO LADO DE LÁ” um DP (Domínio Público) adaptado por ele, Lourival Tavares com o Doquinha. Sendo que a mesma, não trouxe a assinatura do Lourival como parceiro e sim, do nosso também amigo de infância, Batista Mendes (Batista Cabeludo, como chamávamos na infância) com quem Doquinha firmou algumas grandes e belas parcerias. Lourival Tavares mostrando um desconforto voraz, pelo fato da música não ter trazido seu nome, “partiu pra cima”. Não sei se essa atitude teve influência de um desassossego causado pela ascensão musical do Doquinha ou simples reivindicação mesmo. Pelo tempo que temos de estrada, acho que não caberia essa atitude. Um telefonema aquecido de felicidade por tudo que Doquinha representou na nossa infância, nos programas de calouros, nos festivais junto com o Lourival e, apresentados pelo próprio Clélio Silveira, o nosso guru. Seria o mais justo da parte do Lourival. Conhecendo Doquinha como conheço, ele jamais faria algo dessa natureza. Considero esse caso um lapso, um descuido de memória, pois ainda me lembro muito bem de Doquinha, junto com Batista cantando essa música num encontro que tivemos marcado de emoções por colocarem fim à situação, que levara Batista a não querer mais ver Doquinha. Eu e o meu irmão Hélio lhes proporcionamos, pondo fim nessa história. Isso ficou marcado na minha vida e na do meu irmão Hélio. Esse final feliz em São Luís, na casa de Dindola. Encontro magistral de Doquinha e Batista iluminado de lágrimas. Foi aí que ouvi o dueto deles pela primeira vez nessa música “DO LADO DE LÁ” e até sugeri que os dois gravassem juntos.
Eu estava teclando com o amigo de infância Lourival Tavares, quem gosto e admiro pela luta, quando o mesmo me envia o link de uma matéria publicada na coluna do Silveira, e pediu para que eu lesse. Então, fui ler a matéria, com o mesmo entusiasmo que me enviara e, para minha surpresa, não gostei nada do que li. Tratava-se de uma carta aberta, que falava da música “DO LADO DE LÁ” um DP (Domínio Público) adaptado por ele, Lourival Tavares com o Doquinha. Sendo que a mesma, não trouxe a assinatura do Lourival como parceiro e sim, do nosso também amigo de infância, Batista Mendes (Batista Cabeludo, como chamávamos na infância) com quem Doquinha firmou algumas grandes e belas parcerias. Lourival Tavares mostrando um desconforto voraz, pelo fato da música não ter trazido seu nome, “partiu pra cima”. Não sei se essa atitude teve influência de um desassossego causado pela ascensão musical do Doquinha ou simples reivindicação mesmo. Pelo tempo que temos de estrada, acho que não caberia essa atitude. Um telefonema aquecido de felicidade por tudo que Doquinha representou na nossa infância, nos programas de calouros, nos festivais junto com o Lourival e, apresentados pelo próprio Clélio Silveira, o nosso guru. Seria o mais justo da parte do Lourival. Conhecendo Doquinha como conheço, ele jamais faria algo dessa natureza. Considero esse caso um lapso, um descuido de memória, pois ainda me lembro muito bem de Doquinha, junto com Batista cantando essa música num encontro que tivemos marcado de emoções por colocarem fim à situação, que levara Batista a não querer mais ver Doquinha. Eu e o meu irmão Hélio lhes proporcionamos, pondo fim nessa história. Isso ficou marcado na minha vida e na do meu irmão Hélio. Esse final feliz em São Luís, na casa de Dindola. Encontro magistral de Doquinha e Batista iluminado de lágrimas. Foi aí que ouvi o dueto deles pela primeira vez nessa música “DO LADO DE LÁ” e até sugeri que os dois gravassem juntos.
Esse momento do Doquinha teria que ser encarado como uma festa, pois sonhávamos e esperávamos desde criança a manifestação dos sentimentos num acetato de metal antes e, hoje CD, ou seja, Doquinha em um disco! A nossa geração está entre a MPB, liderada por Caetano, Chico e Gil. E a Vanguarda, por Fagner, Zé Ramalho e Elba. E a nossa geração, minha, de Lourival e Doquinha!. A nossa geração foi ensanduichada por estes dois movimentos, e ficou complicado para nós que viemos do estado mais pobre do Brasil. Onde o índice de analfabetismo, miséria e mortalidade infantil é o maior, sem nenhum apoio de políticos importantes do estado, como todos os outros estados apóiam os seus. Tínhamos o mundo lá fora, o nosso estado contra nós. Não podemos ter os nossos parceiros, amigos de infância e irmãos de sonhos, também contra. Não concordei com Lourival e não concordaria com nenhum amigo que tivesse essa mesma atitude. O que entendi, é que desde que este CD foi lançado, percebi certo incômodo por parte do nosso amigo Lourival. Pode ser que eu esteja errado. Esse seria um momento de felicidade para nós, se tivesse feliz, certamente não tomaria essa atitude. Esse momento me exige essa retratação. Pois Doquinha é um cara especial, sério, um grande poeta, que precisou guardar seu talento para seguir outros caminhos.
“A vida é dura como pedra e não dá nada pra quem tem razão”. Impondo as suas vontades. Costumo dizer que: “Todos nós, somos uma luz, muitas vezes ofuscada pela ambição e pela vaidade dos homens pequenos”.
Voltando ao Doquinha, ele foi quem me incentivou a subir num palco pela primeira vez. Não saberia esquecer nunca essa sua atitude generosa e despida de vaidade e egoísmo (para mim a falta de gratidão é uma deformidade de caráter, é não sabermos ser gratos para quem nos fez o bem).
“DO LADO DE LÁ”, que está no CD do Doquinha é DP (Domínio Público).
O assunto começou sendo tratado como se fosse ilegal, assinar a autoria de um DP. Quanto a isso não há nenhum problema, posso desfolhar um rosário de grandes ícones da música popular brasileira que gravaram e assinaram como autores alguns DP’s. Foram gravações que falaram bem alto no cancioneiro popular. Uma das primeiras gravações do Caetano Veloso fazendo participação no LP do cantor da Jovem Guarda Ronie Von em 1967 pela gravadora Polydor/Phillips, numa participação ainda tímida, foi um DP assinado pelo Caetano com algumas adaptações. “PRA CHATEAR” (A rosa vermelha é do bem querer a rosa vermelha e branca hei de amar até morrer). Essa mesma canção sofreu uma segunda adaptação por Alceu Valença para tema de uma novela da Globo e interpretada por Elba Ramalho. Isso há uns dez anos atrás, com o titulo de: “A ROSA VERMELHA”. Por volta dos anos 70, Caetano novamente grava “MARINHEIRO SÓ”, outro DP com suas adaptações e foi sucesso em toda América latina. Nos anos 50 tivemos outro DP com adaptações assinada a autoria pelo nosso Rei Roberto Carlos da canção “CIRANDA, CIRANDINHA”.
Por não resistir e por talvez sentir a impotência do nosso irmão Doquinha diante de todos estes fatos, me vi na obrigação de falar por ele. Pois se trata de um amigo de infância a quem devo os meus primeiros conhecimentos musicais, por eu conhecê-lo tão bem e também por saber do seu caráter e seriedade, me vi na obrigação de não deixar passar sem dar o meu parecer. Sabemos que o nosso amigo nunca militou no meio artístico e talvez não saiba como são os seus meandros que eu costumo chamar “os seus malandros” da música. Faço isso, para que tudo isso não lhe cause nenhuma seqüela relacionada aos caminhos musicais. Esse sentimento me afere por ser alguém que a vida toda sofreu cobranças de nós, seus amigos de infância, para que gravasse e seguisse sua carreira, chegando até vir para o Rio e ficando em minha casa por duas vezes, assim como Lourival, Tony Gil, C.Defé também, todos dividiram comigo o mesmo teto, (o C. Dafé inclusive, o levei para o teatro para apresentá-lo ao meu amigo Belchior, que na época fazia uma temporada no Teatro João Caetano), e outros que sempre sonharam com música da mesma forma que eu. Recebi a todos em meu cantinho, com música, carinho e afeto. Como sempre, fui obstinadamente cego pela emoção da poesia e pela sensibilidade de dizê-la, e entendo todos que a “perseguem”. Fui o primeiro a sair de Santa Inês para enfrentar o Rio de Janeiro, sem conhecer nada e ninguém. O Doquinha é o grande poeta destes tempos. Era visto como o grande poeta da cidade, letras profundas, muito consciente e de uma musicalidade refinada (chegamos a compará-lo com o Chico Buarque, mas não pela coincidência da cor dos olhos). Creio em lapso, equívocos e até mesmo falha de memória. Já aconteceu de eu me pegar cantarolando uma canção e ficar tentando descobrir o autor e depois descobrir que sou eu o autor. Como pode acontecer o contrário.
Tudo o que eu disse é pelo constrangimento que pode ter sido causado ao nosso poeta, irmão de sonhos e amigo de infância Doquinha. Por Vicente Telles
Obrigado meu amigo Vicente Telles!!!
ResponderExcluirEu pensei que o meu silêncio seria a minha melhor resposta.No entanto, pra você, vou falar:
ESTA MÚSICA É TODA DE MINHA RESPONSABILIDADE(melodia, acordes, letra e o DP que você se refere). Em 1.978 quando fiz a canção, mostrei para o Lourival e para o Batista, que desejaram parceria. Lourival queria que a música falasse de militar(tenente) eu não aceitei e disse que não, pois a minha ideia era falar de bumba-meu-boi(folclore maranhense) juntando algumas frases do DP. Neste mesmo ano fizemos um show em Santa Inês denominado "Domingo de Julho" cujo título(escolhido por ARI produtor do show) se deve em referência à música(hoje é domingo...). Em 1.980 o Lourival queria fazer o show Canto Razão em São Luis(MA) e ME PEDIU parceria na música(coisa que acontece usualmente entre amigos de música) e eu como sempre querendo ajudá-lo, concordei para aquele show. Os anos se passaram, 2011, resolvi gravar. Tentei entrar em contato com Lourival não consegui(só caixa postal). Entrei em contato com Batista que foi humilde e me disse que a parceria era dele(verdade que nós dois cantamos muito a música juntos), mas tudo bem que eu poderia dar parceria para o Lourival também. Como não encontrei o Lourival e ele já havia gravado vários discos sem NUNCA GRAVAR A MÚSICA( eu nunca vi ele cantando a mesma, aliás ele nunca gravou um bumba-meu-boi, talvez não goste) achei que não se importaria, afinal a parceria tinha sido apenas para o show Canto Razão. E foi isso aí meu amigo Vicente Telles, o Lourival mostrou que não é apenas brigão, inconveniente, mau caráter(dizer que foi o mentor da ideia) como também um INGRATO! Grande abraço do seu amigo Doquinha.